O técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti, prestou depoimento nesta quarta-feira, 2 de abril, à Justiça espanhola para se defender de acusações de fraude fiscal no valor de €1 milhão. O treinador é acusado de não declarar rendimentos de direitos de imagem entre 2014 e 2015, durante sua primeira passagem pelo clube. Em sua defesa, Ancelotti afirmou que sempre confiou nas orientações do Real Madrid e de seus consultores fiscais, negando qualquer intenção de burlar o pagamento de impostos. Se condenado, ele pode enfrentar uma pena de até quatro anos e nove meses de prisão, além de uma multa de €3,2 milhões.
A acusação contra Ancelotti
O técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti, compareceu nesta quarta-feira (2) ao tribunal espanhol para prestar depoimento sobre acusações de fraude fiscal. As autoridades espanholas alegam que, durante sua primeira passagem pelo clube, entre 2014 e 2015, ele deixou de declarar cerca de 1 milhão de euros referentes a rendimentos de direitos de imagem. Segundo a acusação, o treinador utilizou empresas de fachada para ocultar esses ganhos e, assim, evitar o pagamento de impostos.

Os promotores estão buscando uma pena de quatro anos e nove meses de prisão, além de uma multa de 3,2 milhões de euros. O caso de Ancelotti segue a linha de outras investigações que já envolveram grandes nomes do futebol, como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, ambos condenados ao pagamento de multas por fraude fiscal na Espanha.
A defesa do técnico
Durante seu depoimento, Ancelotti negou qualquer intenção de cometer fraude e afirmou que sempre confiou nas orientações do Real Madrid e de seu consultor fiscal. Ele explicou que, ao assinar com o clube em 2013, seu contrato previa um salário líquido de 6 milhões de euros por três anos, sendo que 15% desse valor deveria ser pago mediante direitos de imagem.
O treinador destacou que essa prática era comum no futebol e que não tinha conhecimento de nenhuma irregularidade fiscal. Ele afirmou que sua preocupação principal era receber o valor líquido acordado e que não deu muita importância à estrutura de pagamento proposta pelo clube.
A estratégia da acusação
Os promotores argumentam que Ancelotti teria usado empresas para esconder parte de seus rendimentos, evitando a tributação sobre os direitos de imagem. A acusação busca provar que ele tinha plena ciência desse esquema e que agiu deliberadamente para reduzir sua carga tributária na Espanha.
Um dos pontos de debate no julgamento será a residência fiscal de Ancelotti em 2015, quando ele deixou o Real Madrid. Sua defesa pode argumentar que, nesse período, ele não era mais residente fiscal na Espanha, o que poderia isentá-lo de parte das acusações.
O impacto do caso
O caso de Ancelotti reforça uma tendência já vista em processos contra jogadores e técnicos de futebol que passaram pela Espanha. Figuras como Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar e José Mourinho também foram investigadas e penalizadas por evasão fiscal nos últimos anos.
Esse tipo de investigação tem levado o governo espanhol a aumentar a fiscalização sobre os contratos de atletas e treinadores, especialmente no que se refere aos direitos de imagem – um dos principais focos de sonegação no futebol.
O julgamento continuará nos próximos dias, com a defesa apresentando seus argumentos e a promotoria tentando consolidar as provas contra o treinador. Se condenado, Ancelotti poderá enfrentar uma multa milionária e até prisão, embora penas desse tipo geralmente sejam convertidas em multas na Espanha para réus primários.